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11/20/2013

Fotografia

Consciência Negra na poesia de Oliveira Silveira e na Fotografia de Irene Santos


"O 20 de novembro começou a ser delineado em encontros informais na Rua dos Andradas, aqui em Porto Alegre. Estávamos em 1971. Reuníamo-nos e falávamos muito a respeito do 13 de maio, do fato desta data não ter um significado maior para a comunidade. A partir desta constatação comecei a procurar outras datas que fossem mais significativas para o movimento. Comecei a estudar a fundo a história do negro e constatei que a passagem mais marcante era o Quilombo dos Palmares. Como não haviam datas do início do quilombo, tampouco do nascimento de seus líderes, optei pelo 20 de novembro. Colhi esta informação numa publicação da Editora Abril dedicada a Zumbi, que dava esta data como a de seu assassinato, em 1665. Por ser uma revista, não se apresentava como fonte segura. Resolvi pesquisar um pouco mais, como forma de garantia. mais adiante, no livro "Quilombo dos Palmares", de Edson Carneiro, a data se repetia. Considerei esta fonte segura, pela importância do autor. Além disto, tive acesso a um livro português que transcrevia cartas da época, numa delas era relatada a morte de zumbi, em 20 de novembro de 1665. A partir de então colocamos em ação nossas propostas. Batizamos o grupo de Palmares e registramos seu estatuto, em julho. No dia 20 de novembro do mesmo ano (1971), evocamos pela primeira vez o "Dia Nacional da Consciência Negra", na sede do Clube Marcílio Dias."Há pessoas que imaginam que o Grupo Palmares tenha chegado ao 20 de Novembro através da obra de Décio Freitas, historiador branco que escreveu "Palmares, A Guerra dos Escravos", livro que teve o mérito de pesquisar mais a fundo a vida de Zumbi. O fato é que quando decidimos pela data, não conhecíamos nem Décio Freitas nem sua obra, ele a havia editado no Uruguai, durante o exílio, em agosto de 1971. A decisão de nosso grupo, portanto, é anterior a publicação de seu livro." (Oliveira Silveira fonte: http://www.oliveirasilveira.blogspot.com )


Do livro de Oliveira, da Coleção Petit Poa, selecionei o poema abaixo; a foto, de Irene Santos

Texto para uma foto

(negra velha)

O açúcar, o algodão
dos cabelos.
Montanha com túneis de mina.
O eito,
as vergas e leivas da testa.
O charque do tempo no rosto.

Que céu nublado se reflete
nas duas cacimbas dessa
terra seca?
E que profundezas afloram
a esses dois
olhos d'água?

Oliveira Silveira

no livro, o próprio Oliveira Silveira relata que o poema foi inspirado nessa fotografia de Irene Santos...

10/30/2013

Poesia traduzida - Carlos Aldazábal

Alguma poesia do argentino Carlos Aldazábal, ganhador do Premio Alhambra de Poesia Americana 2012 e também editor no nosso Projeto de incentivo à leitura Instante Estante!






Motivos

Nada fácil perder tantas peleias
vencer as tarefas cotidianas,
decidir-se a viver com essa náusea até a nuca.

Ressuscitar por día, por minuto,
reencarnado em folhagem ou em formiga,
ressuscitar contra relógio na descida
para evitar morrer de dupla morte.

Não é possível afrouxar:  assim é o jogo,
esta sutil condenação de continuar nascendo
                                                apesar dos outros.

Por isso é que persisto em minha máscara de circo,
porque a risada e o amor são escadas
que tentamos sem medo, entretanto, resvalamos.

Quero dizer:

teus olhos com os meus cruzaram,
e assim vale a pena todo sacrifício.




Motivos


No es fácil perder tantas peleas,
remontar las tareas cotidianas,
decidirse a vivir con la náusea en la nuca.


Resucitar por día, por minuto,
reencarnado en helecho o en hormiga,
resucitar contrarreloj en la caída
para evitar morir de doble muerte.


No es posible aflojar: así es el juego,
esta sutil condena de continuar naciendo
                                      a pesar de los otros.


Por eso es que persisto en mi disfraz de circo,
porque la risa y el amor son escaleras
que trepamos sin miedo mientras nos resbalamos.


Quiero decir:


tus ojos me han mirado,

y así vale la pena tanto esfuerzo.


(in Piedra al Pecho)



Empacho

Engolir a saliva sanguinolenta
na pequenez impotente de um inseto

             a história me é indigesta.


Empacho

Tragándome la saliva roja
en la pequeñez impotente del insecto

             la historia me indigesta.


(in El Banco esta Cerrado)


Carlos Aldazábal


( tradução: Sandra Santos )

Carlos Aldazábal nasceu em Salta, Argentina. Ganhador de vários prêmios literários em seu país: obteve o Prímer Premio Regional de Poesía de la Secretaría de Cultura de la Nación e o  Segundo Concurso “Identidad, de las huellas a la palavra”, organizado pelas Avós da Praça de Maio.  Publicou os livros de poesia La soberbia del monje (1996), Por qué queremos ser Quevedo (1999), Nadie enduela su voz como plegaria (2003), El caseiro (2007), Heredarás la tierra (2007), El banco está cerrado (2010) e Hain. El mundo selknam en poesía e historieta (2012). Coordena o Espaço Literário Juan L. Ortiz, do Centro Cultural de Cooperação Floreal Gorini, em Buenos Aires.
É  um dos fundadores do projeto editorial El Suri Porfiado www.elsuriporfiado.blogspot.com e da  revista La costurerita www.la-costurerita.com.ar


10/24/2013

Cartões Galantes

Quem não gostaria de ter nascido nos tempos de antanho, só para ganhar cartões poéticos com as mais lindas declarações de amor? 




Exposição de Cartões Galantes  à moda antiga
         Curadoria: Sandra Santos






poetas convidados:  Ademir Demarchi, Alexandre Brito, Bárbara Lia, Betty Vidigal, Caio Ritter, César Pereira, Dilan Camargo, Edson Bueno de Camargo, Edson Cruz, E. M. de Melo e Castro, Gilberto Wallace, José Geraldo Néres, José Inácio Vieira de Melo, Juliana Meira, Laís Chaffe, Lau Siqueira, Leila Míccolis, Lúcia Santos, Luis Turiba, Mara Faturi, Marcelo Moraes Caetano, Marco Cremasco, Mario Pirata, Manoel Herzog, Nydia Bonetti, Paulo Seben, Ricardo Portugal, Ricardo Silvestrin, Renato Mattos Motta, Romério Rômulo Campos Valadares, Rubens Jardim, Salgado Maranhão, Sandra Santos, Sidnei Schneider, Tchello d'Barros, Tulio Henrique Pereira.



9/02/2013

conversa com Oliverio Girondo - Sandra Santos


um pito aos homens que não te fazem "volar" 



UM PITO AOS HOMENS QUE NÃO TE FAZEM VOAR

"no les perdono, bajo ningún pretexto, que no sepan volar"
Oliverio Girondo

a mim nada importa que um homem ainda use fraldas.
que necessite do seio de sua mãe todo domingo.
perdoo sem esforço a falta e excesso de pelos;
e até mesmo a pressa matinal e o cigarro;
assim como a saliência abdominal.
um homem ainda é bonito na brancura dos cabelos
ou na ausência de uma espinha retilínea.
imperdoável é o homem que não ousa te fazer voar!
não cabe na minha cama um homem que não saiba.
explorar sob a saia com a insistência de um passarinho
nos pistilos do hibisco, em busca do néctar.
não cabe na minha cama um homem que não suba
- às alturas dos deuses, nos paraísos de Dante -
e me traga ao cérebro a dopamina de Creonte.

Sandra Santos


foto: Patrick Demarchelier

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