3/13/2013

Sandra Santos - Leitura Crítica de Joaquim Moncks e Beat

A leitura crítica de Joaquim Moncks e o meu poema Beat

"Não seria bom deixar que falassem de amor  pensando fazerem versos? Não és exigente demais com neófitos, pseudos e versejadores? " 
Excerto acima, de carta de uma leitora ao poeta e crítico literário Joaquim Moncks, na qual, incidentalmente, há a referência ao meu poema Beat. E eis que me encontro novamente "on the road"... Mas, é na resposta que o poeta nos brinda com este excelente  texto sobre o fazer poético, que transcrevo abaixo:
"Tenho tanto respeito e veneração pela Poesia que não consigo ficar calado quando alguém escreve versos – que não são versos – e, sim, apenas prosa em sua linguagem linear, em frases, mera imitação de linguagem poética, como se o fora... Há tanta baboseira andando por aí, na net e no papel, que, aos sessenta e quatro, já não mais aguento ficar calado.
E o pior é que estas peças arquitetônicas de dulçurosos textos fazem com que os jovens não vislumbrem, não tenham uma pista para identificar a linguagem poética e acabem por não criar amor pela verdadeira Poesia – em sua proposta metafórica, codificada, portanto – sequer aprendam a pensar com a utilização das figuras de linguagem.
Ou até se afastem da verdadeira Poesia por achá-la difícil. É muito mais fácil ler o óbvio e não pensar, porque, ao se praticar esse exercício não dá trabalho, sequer algum desgaste físico. Somente se acaçapam neurônios por falta de uso...
E são essas pessoas que acabam se intitulando “poetas”, nos sites de relacionamento, vindo a publicar textos que, a rigor, nunca passam perto do que é Poesia como gênero literário.
E o que é pior, induzem ao erro os jovens autores que têm vontade de escrever em Poesia... Estes, ao verem encômios, loas e louvações aos “recadinhos de amor”, tão contumazes na Grande Rede, passam a tê-los como modelário. E que falso modelo. Fico todo eriçado quando vejo que estão a dizer abobrinhas, no caso, já em forma de geleia...
Recebo bem o “recadinho amoroso” como peça palatável. Alguns são bonitos, caem bem aos olhos e ao coração. Porém, não deixam de apenas rememorar os antigos “bilhetinhos” de quermesses ou circos de diversão de nossa infância e juventude.
Faziam parte dos jogos do amar, que se instauravam ao tempo das descobertas do sexo. À impossibilidade de os tatuarmos na pele da(o) Amado(a), porque ainda não se conseguia chegar ao ato, ficavam as garatujas desejosas que, para alguns, era difícil saber como escrevê-las para lograr atingir o alvo...
Porém, ao topar com autores na faixa da maturidade repetindo os desgastados “bilhetes docinhos”, parece-me que chegam a destempo...
Há outra objeção formal. “Recados de amor” não se os deve escrever em versos, e, sim, em frases, como qualquer outra escrita em Prosa. Com versos se constroi o poema. E que bom que este contenha Poesia...
É claro que escrever bilhetes amorosos – com farta utilização de palavras de amor – é um ótimo exercício do Bem, num mundo em que o Mal ganha, a tempo e tempo, mais e mais espaços. É só observar as manchetes dos jornais diários, em suas muito lidas páginas de Polícia...
No Recanto das Letras – site para escritores de todos os níveis de conhecimento e afetividade para com a Palavra – é necessário, a meu ver, que se aponte o que é um bom espécime em Poesia. Alguns desses chegarão ao poema. A maioria continuará escrevendo seus bilhetes amorosos..."
– Do livro TIDOS & HAVIDOS, 2011.
        "A Poesia é uma gata gorda e sedutora. Sua aparente inutilidade resta compensada pela sensação que causa aos olhos lassos. Quando se passa a mão no pelo, a gata dengosa vira de barriga pra cima. Ali, aos olhos e ouvidos, pervive o fato de amar o inútil. Este, por sua inutilidade, jamais cansa o gato gordo que lhe acaricia o ventre."
            Joaquim Moncks
Joaquim Moncks nasceu em Pelotas (1946). Advogado. Professor. Deputado Estadual constituinte (1989). É Ativista Cultural. Agente Literário. Poeta. Declamador. Conferencista. Ensaísta. Analista literário. Jurado em certames literários, festivais nativistas e eventos de poesia e música popular.

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