10/31/2013

Conversa com Oliverio Girondo - Sandra Santos


um pito aos homens que não te fazem "volar" 



[sandra santos blog]


UM PITO AOS HOMENS QUE NÃO TE FAZEM VOAR

"no les perdono, bajo ningún pretexto, que no sepan volar"
Oliverio Girondo

a mim nada importa que um homem ainda use fraldas.
que necessite do seio de sua mãe todo domingo.
perdoo sem esforço a falta e excesso de pelos;
e até mesmo a pressa matinal e o cigarro;
assim como a saliência abdominal.
um homem ainda é bonito na brancura dos cabelos
ou na ausência de uma espinha retilínea.
imperdoável é o homem que não ousa te fazer voar!
não cabe na minha cama um homem que não saiba.
explorar sob a saia com a insistência de um passarinho
nos pistilos do hibisco, em busca do néctar.
não cabe na minha cama um homem que não suba
- às alturas dos deuses, nos paraísos de Dante -
e me traga ao cérebro a dopamina de Creonte.

Sandra Santos


foto: Patrick Demarchelier

10/24/2013

Cartões Galantes

Quem não gostaria de ter nascido nos tempos de "antanho", só para ganhar cartões poéticos com as mais lindas declarações de amor? 

exposição: Cartões Galantes
curadoria: Sandra Santos
Castelinho do Alto da Bronze - Espaço Cultural

poetas convidados:  Ademir Demarchi, Alexandre Brito, Bárbara Lia, Betty Vidigal, Caio Ritter, César Pereira, Dilan Camargo, Edson Bueno de Camargo, Edson Cruz, E. M. de Melo e Castro, Gilberto Wallace, José Geraldo Néres, José Inácio Vieira de Melo, Juliana Meira, Laís Chaffe, Lau Siqueira, Leila Míccolis, Lúcia Santos, Luis Turiba, Mara Faturi, Marcelo Moraes Caetano, Marco Cremasco, Mario Pirata, Manoel Herzog, Nydia Bonetti, Paulo Seben, Ricardo Portugal, Ricardo Silvestrin, Renato Mattos Motta, Romério Rômulo Campos Valadares, Rubens Jardim, Salgado Maranhão, Sandra Santos, Sidnei Schneider, Tchello d'Barros, Tulio Henrique Pereira.

escolha o seu ! (clique no cartão abaixo para ler e compartilhar todos)

 amor virtual: as definições do amor foram atualizadas

10/11/2013

Poesia traduzida - Carlos Aldazábal

Alguma poesia do argentino Carlos Aldazábal, ganhador do Premio Alhambra de Poesia Americana 2012!






Motivos

Nada fácil perder tantas peleias
vencer as tarefas cotidianas,
decidir-se a viver com a náusea até a nuca.

Ressuscitar por dia, por minuto,
reencarnado em folhagem ou formiga,
ressuscitar contra relógio na descida
para evitar morrer de dupla morte.

Não é possível afrouxar:  assim é o jogo,
esta sutil condenação de continuar nascendo
                                                apesar dos outros.

Por isso é que persisto - disfarçado de palhaço
porque o riso e o amor são as escadas
que tentamos sem medo, mesmo resvalando.

Quero dizer:

teus olhos em mim se fixaram,
e por isso vale a pena todo sacrifício.




Motivos


No es fácil perder tantas peleas,
remontar las tareas cotidianas,
decidirse a vivir con la náusea en la nuca.


Resucitar por día, por minuto,
reencarnado en helecho o en hormiga,
resucitar contrarreloj en la caída
para evitar morir de doble muerte.


No es posible aflojar: así es el juego,
esta sutil condena de continuar naciendo
                                      a pesar de los otros.


Por eso es que persisto en mi disfraz de circo,
porque la risa y el amor son escaleras
que trepamos sin miedo mientras nos resbalamos.


Quiero decir:


tus ojos me han mirado,

y así vale la pena tanto esfuerzo.


(in Piedra al Pecho)



Empacho

Tragando-me a saliva sanguinolenta
na pequenez impotente de um inseto

             a história me é indigesta.


Empacho

Tragándome la saliva roja
en la pequeñez impotente del insecto

             la historia me indigesta.


(in El Banco esta Cerrado)


Carlos Aldazábal


( tradução: Sandra Santos )

Carlos Aldazábal nasceu em Salta, Argentina. Ganhador de vários prêmios literários em seu país: obteve o Prímer Premio Regional de Poesía de la Secretaría de Cultura de la Nación e o  Segundo Concurso “Identidad, de las huellas a la palavra”, organizado pelas Avós da Praça de Maio.  Publicou os livros de poesia La soberbia del monje (1996), Por qué queremos ser Quevedo (1999), Nadie enduela su voz como plegaria (2003), El caseiro (2007), Heredarás la tierra (2007), El banco está cerrado (2010) e Hain. El mundo selknam en poesía e historieta (2012). Coordena o Espaço Literário Juan L. Ortiz, do Centro Cultural de Cooperação Floreal Gorini, em Buenos Aires.
É  um dos fundadores do projeto editorial El Suri Porfiado www.elsuriporfiado.blogspot.com e da  revista La costurerita www.la-costurerita.com.ar


8/31/2013

Poesia traduzida - Fredy Yezzed

A poesia de Fredy Yezzed  

Fredy Yezzed  pertence à novíssima safra poética da Colômbia. Sua escrita, desde as primeiras publicações, tem  conquistado o júri dos certames literários de que participa. Arrematando respeitados prêmios de literatura de seu país - seja em poesia ou contos - chama a atenção da crítica mais qualificada.  Já se assenta confortavelmente nas primeiras cadeiras, destinadas à boa poesia latinoamericana.




NUNCA PUDE SAIR-ME DO SUL. De seus acontecimentos invisíveis. Segui sendo essa migração ao fundo de mim mesmo. Não mover-me, esta travessia contínua. Morrer-me, muitas e seguidas vezes, uma tarefa simples.

Muletas, levo-as estaqueadas por dentro. Maletas, estas sempre descosturadas. O salto mais alto foi efeito da embriaguez do tempo. E o sonho mais caro, não ser dispensado de onde sempre.

Um pião que gira anti-horário. Uma ferramenta obsoleta.
Uma biruta que aponta para o céu.

Me pego ancorado nisto de assistir à iluminação dos pássaros.

Assim é este mal-estar do Sul.



NUNCA ME HE IDO DEL SUR. De sus acontecimientos invisibles. Siempre he sido una migración al fondo de sí mismo. No moverme ha sido una travesía constante. Y morir muchas veces, seguidamente, ha sido una tarea simple.

Las muletas las llevo puestas por dentro. Las maletas siempre estuvieron descosidas. El salto más alto fue el de la ebriedad del tiempo. Y el sueño más importante no ser despedido de donde siempre.

Un trompo que gira al revés. Un destornillador obsoleto. Una veleta que señala el cielo.

Me quedo anclado en esto de ver la luz de los pájaros.

Así es este malestar del Sur.




( tradução: Sandra Santos)




FREDY YEZZED - COLÔMBIA

Nasceu em Bogotá. Lincenciado em Línguas Modernas pela Universidad de La Salle e doutorando em Letras pela Universidad de Buenos Aires onde estuda as raízes do poema em prosa argentino:  Lugones, Guiraldes, Girondo. Seu primeiro livro de poesia "La sal de la locura" foi distinguido na Argentina - pelos  jurados Javier Adúriz, María del Carmen Colombo e Jorge Boccanera - com o Premio Nacional de Poesía Macedonio Fernández 2010, publicado em Buenos Aires nesse mesmo ano. Também premiado com o XII Premio Nacional Universitario de Cuento, Universidad Externado de Colombia, 2001; Premio Nacional de Cuento Ciudad de Bogotá, 2003; Premio Nacional Poesía Capital, Casa de Poesía Silva, 2005; e XXVII Concurso Nacional Metropolitano de Cuento, Universidad Metropolitana de Barranquilla, 2006.
Publicou também os estudos "Párrafos de aire", primeira antologia do poema em prosa colombiano, pela Editora da Universidad de Antioquia, Medellín, 2010.
Depois de uma viagem de seis meses pela América do Sul, se radicou em Buenos Aires, Argentina.
"El diario inédito del filósofo vienés Ludwig Wittgenstein" é seu segundo livro de poesia publicado, mas antecede em sua gênesis a "La sal de la locura".



7/16/2013

Poesia traduzida - Sandra Santos por Rosetta Savelli


Poesia contemporanea brasiliana -  Rosetta Savelli

Traduzione in Lingua Italiana di ROSETTA SAVELLI
(Presentati e tradotti da Leo Lobos)

sandra santos blog


"La diversità delle lingue, lungi dall'essere una punizione come nel mito di Babele, è un motivo per noi di passare attraverso la prova di comunicazione con gli stranieri. La teoria e la pratica vengono sfidate e divengono complemento, all'interno del quale la riflessione sulla traduzione è inseparabile dall'esperienza e dalla conoscenza della traduzione. Questa selezione di poesia contemporanea brasiliana viene quindi presentata come una possibilità di scoprire, di incontrare e di collegarsi al Brasile di oggi.
Ho cercato di esprimere il senso del senso e non solo il senso di una lettera, in riferimento a come viene pronunciata una lettera o parola o verso, nel suono castigliano portoghese. Questi poeti, Claudio Willer, Tanussi Cardoso, Sandra Santos e Emanuel Herbert, ci mostrano il mare immenso della scrittura prorompente e viva in Brasile. Condividono mondi immaginari, sia reali che virtuali, dai quali i poeti stessi traggono nutrimento.
Sì, è bene ascoltare la musica classica, ma è bene anche ascoltare il ritmo e la poesia e il rock and roll. Così come è bene apprezzare il cinema, è bene apprezzare anche la navigazione in Internet ed esplorare nuovi veicoli come il blog o il cinguettio di twitter che permettono di ampliare le proprie reti di comunicazioni virtuali con altri poeti. Questo permette di creare pagine e riviste elettroniche e di sviluppare immagini visive d'arte attraverso i video.
Infine, gli autori attuali e moderni che insistono nel desiderio e nella volontà di vivere in pieno il loro tempo, con il diritto di esplorare tutte le possibilità offerte dalla tecnologia, verbali e non verbali, riescono a creare e ad essere pienamente creativi dentro a questo nostro tempo.
A quei naviganti che di solito frequentano il Brasile, noi facciamo scoprire loro, stupendoli, sia la dimensione che la forza espressiva e viva della lingua portoghese brasiliana. Mostriamo il significato e il suono, come se ci fosse qualcosa nelle lingue che differiscono per taglio e per suoni fonetici, svelando e rivelando così il fascino della lingua diversa.
Il desiderio di capire ciò che è diverso, la necessità di affrontare l'alterità senza annullarne il senso e l'identità. poichè è proprio da questa traduzione e da questo scambio di lingue che nasce l'intesa per cercare di capire lo straniero. La poesia di questi autori è arte ed è questa la visione centrale e trainante, è questa la sensazione gratificante di essere di fronte a una legittima espressione della vita attraverso la forma del linguaggio.
Questa forma artistica del liguaggio si chiama poesia.(Leo Lobos)


Sandra Santos (Rio Grande do Sul, Brasile 1964). E' la mente ideologica e fondatrice del "Progetto Instante Estante" ed è anche editore, insieme con il poeta brasiliano Alexandre Brito, in un'iniziativa che promuove i poeti brasiliani e latino-americani attraverso le edizioni e-book e le edizioni in cartaceo nelle Scuole statali. E' Direttore di "Spazio Culturale Castelinho do Alto da Bronzo", leggenda urbana culturale di Porto Alegre, che organizza e conduce periodicamente mostre d'arte e di fotografia, così come lanci e performance artistiche aperte a tutti e con ingresso libero. Realizza laboratori di scultura, gratuitamente per le comunità indigene e coordina il progetto "Casa Naif" atelier sul paesaggio di Porto Alegre, nel Castelinho do Alto da Bronzo, per accogliere e favorire la produzione artistica dei pittori primitivi all'interno dello Stato e in l'America Latina.
Sandra Santos scrive poesie fin dall'infanzia e all'epoca scriveva in un dialetto italiano estinto che le aveva insegnato suo nonno Marco Antonio.

Oggi Sandra Santos si esprime in versi attraverso l'utilizzo di un dialetto Tupi antico.

- La lingua Tupi è chiamata anche lingua Tupi antica o lingua Tupi classica, è una lingua estinta che appartenente alla famiglia delle lingue Tupi.
La famiglia linguistica Tupi comprende 70 lingue diverse parlate in Sudamerica, e le più conosciute sono il Tupi antico e Guarani.
Quando i portoghesi arrivarono sulla costa orientale del Sudamerica, scoprirono che gli indigeni della costa parlavano lingue simili. I missionari gesuiti trassero vantaggio da queste somiglianze creando delle lingue comuni con grammatica e ortografia fissa, che loro chiamavano lingua generale.
Fra queste, la lingua più conosciuta era il Tupi antico,
Un tempo questa lingua era parlata dagli indigeni Tupi in Brasile, molti dei quali vivevano presso la costa atlantica. Appartiene alla sottofamiglia delle lingue Tupi-Guaraní e ha una tradizione scritta che durò per tre secoli, dal XVI al XVIII. Nel periodo coloniale la lingua Tupi veniva usata come lingua franca nel territorio, sia dagli Indios che dagli Europei portoghesi.
In seguito l'uso della lingua venne soppresso e ad oggi esiste una sola lingua discendente dal Tupi antico con un numero apprezzabile di persone che la parla, questa lingua è il Nheengatu.
I nomi Tupi antico o Tupi classico vengono usati dagli studiosi moderni e in portoghese viene chiamata Tupi antigo, mentre vi sono diversi nomi usati dai vari gruppi di persone che la parlano:
ñeengatú ("buona lingua"),
ñeendyba ("lingua comune"),
abáñeenga ("lingua umana")
La lingua è piuttosto diversa dalle lingue indoeuropee nella fonologia, morfologia e grammatica.
Apparteneva al gruppo di lingue Tupi-Guaraní, che a differenza di altri gruppi linguistici in Sudamerica si era diffuso vastamente. Fino al XVI secolo, queste lingue si potevano trovare su tutta la costa brasiliana, dal Pará a Santa Catarina, e anche nel bacino del Rio de la Plata. Le lingue Tupi sono ancora parlate ad oggi in Brasile, Guyana francese, Venezuela, Colombia, Perù, Bolivia, Paraguay e Argentina.


Il TRAVESTIMENTO di SANDRA SANTOS

Il travestimento è testimonianza
di parole non registrate
e di atti non letti

nell'indossare il travestimento
si nascondeva un gancio,
un chiodo arrugginito

il travestimento nascondeva
il lutto in una frase

muta

così che in generale
a poco a poco
si dimenticava tutto

il travestimento come il foro di proiettile
sul bavero della morte


ITALIA 21 Febbraio 2013 - di Rosetta Savelli —
La scrittrice Rosetta Savelli coltiva da sempre l'amore per la Musica, la Letteratura e l' Arte in tutte le sue espressioni. Ha pubblicato tre libri: un Racconto , una Raccolta di Poesie ed un Romanzo. Ha partecipato a numerosi Concorsi Letterari sia Nazionali che Internazionali ottenendo riconoscimenti e pubblicazioni. E' inoltre presente in una decina di Antologie Letterarie sia di prosa che di poesia. Ha pubblicato racconti su Riviste specializzate di Arte e Letteratura. Ha partecipato a trasmissioni televisive e radiofoniche.Ha intervistato noti personaggi della Cultura e dello Spettacolo

6/10/2013

Festival Latinoamericano de Poesía en el Centro

V Festival Latinoamericano de Poesía en el Centro

25 a 29 de junho de 2013 - Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini - Buenos Aires

O V Festival Latinoamericano de Poesía en el Centro propõe uma reflexão sobre a situação atual da poesia argentina e latino-americana, convocando vozes representativas de distintas tradições, que se expressam através de sua produção artística e teórica.
Comissão Organizadora: Susana Szwarc (Chaco), Nara Mansur (Cuba), Vicente Muleiro (Buenos Aires), Silvia Castro (Río Negro), María Malusardi (Buenos Aires), Juano Villafañe (Buenos Aires), Inés Manzano (Buenos Aires), Carlos J. Aldazábal (Salta) y Julián Axat (La Plata).

Convidados Internacionais

Alessio Brandolini (Italia)
Rodolfo Dada (Costa Rica)
Jose Angel Leyva (México)
Omar Lara (Chile)
Xavier Oquendo (Ecuador) 
Sandra Santos (Brasil), 
Fredy Yazzed (Colombia)



Alessio Brandolini nasceu em 1958 em Frascati (Roma) e viveu seus primeiros vinte anos 
em Monte Cómpatri. Vive em Roma, onde se licenciou em Letras modernas. Publicou os livros de poesia: L’alba a piazza Navona (em 7 poeti del Premio Montale, 1992), Divisori orientali (2003, «Premio Alfonso Gatto»), Poesie della terra (2004), Il male inconsapevole (2005), Mappe colombiane (2007), Tevere in fiamme (2008, «Premio Sandro Penna») e Il fiume nel mare (2010, «Finalista Premio Camaiore»). Em março de 2013, o livro de contos 
"Un bosco nel muro". Desde 2006, coordena «Fili d’aquilone», revista web de “imágenes, ideas y poesía”. Organiza leituras e encontros literários, sobre tudo com o grupo «I libri in testa». Em 2011, fundou a editora «Edizioni fili d’Aquilone».


Rodolfo Dada nasceu em 5 de março de 1952, em San José. Estudou  Literatura e Ciências da Linguagem na Universidade de Costa Rica. Foi Superintendente do Mercado Oriental de Managua, durante os primeiros anos da Reconstrução da Nicaragua e atualmente trabalha no Hotel Laguna de Tortuguero, no Caribe de Costa Rica. Seu sobrenome vem de sua ascendência Palestina. Em 2004, obteve o Premio Nacional de Poesía de seu país. Algumas de suas obras publicadas são: Cuajiniquil; Abecedario del Yaqui (Premio Carmen Lyra, 1981), Kotuma, la Rana y la Luna (Premio Una-Palabra, 1984), La voz del caracol (Literatura infantil), De azul el mar (Premio Nacional de Poesía “Aquileo J. Echeverría”, 2004) y El mar de la selva (Mención de Honor, Premio Casa de las Américas, 2009).


Jose Angel Leyva nasceu em  Durango, México, em 1958. É poeta, escritor, jornalista, editor e gestor cultural. Publicou mais de 15 livros, em sua maioria de poesia, alguns traduzidos ao italiano, francês, inglês, português e parcialmente ao polonês. Diretor de importantes revistas culturais,  entre elas Mundo, culturas y gente, Alforja e La Otra. Tem sido laureado com importantes prêmios nacionais como poeta e como jornalista cultural. Também foi diretor e fundador de coleções editoriais. Entre seus livros de poesia, destacam-se: Catulo en el destierro, Entresueños, El espinazo del Diablo, Habitantos, Aguja, Duranguraños, Tres cuartas partes, além das antologias Carne de imagen e Destiempo, que reúnem parte importante de sua obra.


Omar Lara nasceu em Nueva Imperial, Chile, 1941. Autor de mais de vinte livros de poesia, entre eles: Oh Buenas Maneras (Premio Casa de las Américas, La Habana 1975), Voces de Portocaliu, Papeles de Harek Ayun (Premio Casa de América, Madrid 2007). Tradutor de romeno. Fundador e diretor da revista TRILCE. Em 2007, obteve o Premio Internacional de Poesía Ciudad de Trieste e, em 2012, o Premio Internacional Rafael Alberti. Reside em Concepción, Chile.


Xavier Oquendo Troncoso nasceu em Ambato-Ecuador, 1972. Jornalista e Doutor em Letras e Literatura. Estudos em editoração de livros em Madrid. Publicou 12 títulos, entre poesia, conto,  literatura infantil e antologias da jovem literatura do Equador. Seu último livro “Salvados del naufragio” é uma recompilação de sua poesia, de 15 anos de trabalho. Representante do Equador em importantes encontros poéticos e literários na Espanha, México, Colômbia, Chile e Peru. Organizador das quatro edições das Jornadas de poesía joven del Ecuador e do Encuentro Internacional de poetas “poesía en paralelo cero”. Obteve diversos prêmios nacionais como  “Pablo Palacio”, em conto, e  Premio Nacional de poesía, em 1993. Integra antologias nacionais e internacionais. Recebeu de seu município, em 1999, a condecoração Juan León Mera, por toda sua obra literária e de difusão. É editor, catedrático e editorialista de diversos meios de comunicação. Parte de sua poesia tem sido traduzida ao italiano e ao português.


sandra santos blog
Sandra Santos é a idealizadora do Instante Estante, projeto de incentivo à leitura que divulga a poesia brasileira e latino-americana, que distribui livros gratuitamente em bibliotecas comunitárias, escolas, internet (através de e-books) e intervenções urbanas nas capitais. É diretora do Espaço Cultural Castelinho do Alto da Bronze - uma lenda urbana da cidade de Porto Alegre - onde acontece exposições, lançamentos e performances artísticas, com entrada franca. Realiza oficinas de escultura às comunidades indígenas e coordena o projeto “Casa Naîf”, atelier de passagem para hospedar incentivar a produção artística de pintores primitivistas do país e América Latina.


Fredy Yazzed nasceu em Bogotá, Colombia, 1979. Como estudioso e pesquisador de literatura, escreveu Párrafos de aire, primeira antologia do poema em prosa colombiano, publicado pela editora da Universidad de Antioquia (Medellín, 2010). Publicou os livros de poesia: La sal de la locura, (Premio Nacional de Poesía Macedonio Fernández,Buenos Aires, 2010) e El diario inédito del filósofo vienés Ludwig Wittgenstein (Ediciones Del Dock, Buenos Aires, 2012). Atualmente, cursa doutorado em Letras na Universidade de Buenos Aires, onde estuda as raízes do poema em prosa argentino.


Convidados das Províncias

Niní Bernardello (Tierra del Fuego), Emiliano Cruz Luna (La Plata), Rodolfo Godino (Córdoba), Ana María Pedernera (Lobos), Ramón Minieri (Río Negro), Alberto Tasso (Santiago del Estero), Priscila Vallone (Tierra
del Fuego),Tomás Watkins (Neuquén)

Convidados da cidade de Buenos Aires

Daniel Calmels, Dolores Etchecopar, Javier Galarza, Juan García Gayo, Noé Jitrik, Claudia López, Lucio Madariaga, Jorge Ariel Madrazo, Eduardo Mileo, Hugo Mujica, Martín Rodríguez, Mariano Schuster, Emmanuel Taub, Juano Villafañe, Paulina Vinderman





6/03/2013

Poesia Gaúcha Contemporânea

Lançamento da Coletânea de Poesia Gaúcha Contemporânea da Assembleia Legislativa do RGS

Tenho a honra de integrar o quadro dos 91 poetas gaúchos da década:
Ademir Antonio Bacca, Alexandre Brito, Álvaro Santi, Ana Mariano, André Dick, Armindo Trevisan, Berenice Sica Lamas, Carlos Eduardo Caramez, Carlos Nejar, Carlos Saldanha Legendre, Carlos Urbim, Celia Maria Maciel, Celso Gutfreind, César Pereira, Cinthya Verri, Claudia Schroeder, Cleci Silveira, Cleonice Bourscheid,Deisi Scherer Beier, Denise Freitas, Diego Grando, Diego Petrarca, Dilan Camargo, dois Santos dos Santos,Eduardo Dall'Alba, Eduardo Sterzi, Élvio Vargas, Escobar Nogueira,Everton Behenck, Fabrício Carpinejar , Flávio Luis Ferrarini, Gláucia de Souza, Guto Leite, Humberto Zanatta, Isaac Starosta, Israel Mendes, Ivanise Mantovani, J. C. Cardoso Goularte, Jaime Medeiros Júnior, Jaime Vaz Brasil, Jaime Paviani, Joaquim Moncks, Jorge Adelar Finato, José Antônio Silva, José Eduardo Degrazia, José Hildebrando Dacanal, José Weis, Laís Chaffe, Lau Siqueira, Liana Timm, Lorena Martins, Lucas Reis Gonçalves, Lúcia Bins Ely, Luiz Coronel, Luiz de Miranda, Lya Luft, Marco Celso H. Viola, Marco de Menezes, Maria Carpi, Maria do Carmo Campos, Marilice Costi, Mario Pirata, Marlon de Almeida, Marô Barbieri, Martha Medeiros, Nei Duclós, Nilva Ferraro, Oracy Dornelles, Orlando Fonseca, Ozy Pinheiro Souto, Paula Taitelbaun , Paulo Becker, Paulo Bentancur, Paulo Roberto do Carmo, Paulo Seben, Pedro Marodin, Pedro Stiehl, Raul Machado, Ricardo Primo Portugal, Ricardo Silvestrin , Roberto Medina, Ronald Augusto, Rossyr Berny, Sandra Santos, Sergio Napp, Sidnei Schneider, Susana Vernieri, Suzana Vargas, Tânia Lopes, Telma Scherer, Vitor Biasoli.


Comissão Editorial: Caio Ritter (AGES), Dilan Camargo (organizador), Jussara Haubert Rodrigues (CRL), Márcia Ivana de Lima e Silva (IL/URFRGS), Maria Elisa Carpi (poeta).


A obra é comemorativa aos 100 anos da Biblioteca Borges de Medeiros. O livro é gratuito: a edição impressa será distribuída prioritariamente às bibliotecas de  instituições públicas e a versão digital ficará disponível no portal da biblioteca da Assembleia (www.al.rs.gov.br/biblioteca).

A cerimônia de lançamento acontece dia 4 de Junho, 18h30min, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa. Praça Marechal Deodoro, 101, Centro Histórico de Porto Alegre.

6/01/2013

Projeto Instante Estante de Incentivo à Leitura

Projeto Instante Estante de Incentivo à leitura - livros e e-books grátis!



Projeto Instante Estante de Incentivo à leitura:
curadoria e produção: Sandra Santos
Coleção INSTANTE ESTANTE - Castelinho Edições editores no Brasil: Sandra Santos e Alexandre Britoeditor no Chile: Leo Loboseditor na Argentina: Carlos Aldazábal


A Coleção Instante Estante é um projeto de incentivo à leitura da Castelinho Edições. O INSTANTE ESTANTE distribui livros novos, editados especialmente para o projeto. Os Livros chegam ao leitor gratuitamente, seja através da "Intervenção Urbana nas Capitais", seja pela distribuição em pontos de leitura e bibliotecas comunitárias. 

As intervenções Urbanas do Instante Estante já distribuiram livros em Porto Alegre: 120 livros durante a 56ª Feira do Livro, em 2010; em Brasília: 120 livros no Verão Literatura Brasília, em 2011; em João Pessoa: 80 livros no Agosto das Letras, em 2011; em Belo Horizonte: 120 livros na Intervenção Urbana da Praça Sete, em 2011; em Porto Alegre: 120 livros no estande da Câmara Municipal, 57ª Feira do Livro, 2011; no Forum Social Mundial 2012: 120 livros no Acampamento da Juventude, 2012.São editados de 300 a 450 livros por título. 

O Projeto acabou de lançar 16 Títulos na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 2012: Alexandre Brito, Alice Ruiz, César Pereira,  Fred Maia, Juliana Meira, Laís Chaffe, Lau Siqueira, Mario Pirata, Nydia Bonetti, Ricardo Portugal, Ricardo Silvestrin, Sandra Santos e Wilmar Silva (Brasil). Antonio Arroyo Silva ( Ilhas Canárias), E. M. de Melo e Castro (Portugal) e Leo Lobos (Chile).


Público na Tenda de Pasárgada para as atividades do Projeto INSTANTE ESTANTE de incentivo à leitura. Na programação: edição especial do programa UniVerso e a seguir lançamento dos livros da coleção, com vários autores presentes.






Eu e Heloisa Souza Pinto, abrindo as atividades da Tenda de Pasárgada: Programa Universo, lançamento e distribuição dos livros ao público presente. 





Os poetas Alice Ruiz, E. M. de Melo e Castro e Leo Lobos participaram do programa UniVerso, falando de literatura e lendo os poemas de seus livros do Projeto Instante Estante que estavam sendo lançados neste dia. 
A atividade foi uma parceria do Universo com o Instante Estante, através do Castelinho do Alto da Bronze, patrocinador do projeto e que viabilizou a vinda dos poetas a Porto Alegre.







Na mesa de autógrafos, da direita para a esquerda, os autores Ricardo Portugal, César Pereira, Laís Chaffe, Juliana Meira, Ricardo Silvestrin e Alice Ruiz. Não aparecem na foto, mas também estavam presentes, eu (Sandra Santos), Alexandre Brito, Leo Lobos, Mario Pirata, E.M. de Melo e Castro.




autógrafos concorridos na Tenda de Pasárgada!






mais notícias do projeto:

I - Instante Estante na Feira do Livro de Porto Alegre 2011


O Projeto Instante Estante recebeu o convite para montar a "Estante" no estande da Câmara Municipal de Porto Alegre, durante a 57ª  Feira do Livro, na Praça da Alfândega. Foram três encontros, com apresentação de vídeo, lançamentos, autógrafos e 140 livros da coleção distribuídos, gratuitamente, aos visitantes da Feira. 

Na foto, com os poetas Alexandre Brito e Mario Pirata




















a programação completa no site da Câmara Municipal de Porto Alegre



II - Entrevista sobre o Projeto Instante Estante na Rádio Inconfidência, no programa Tarde Poética


Estive em Belo Horizonte, com o Projeto Instante. A intervenção Urbana foi um sucesso. Mais de 100 livros de poesia na estante e um público leitor muito jovem e interessado em literatura. Como o Alexandre Brito estava visitando escolas da região, com seu livro Circo Mágico, fui auxiliada na instalação pelos poetas Wilmar Silva e Regina Melo, dois grandes nomes ligados a projetos de literatura de Minas Gerais. Regina criou o Museu Nacional da Poesia - ainda dedicarei um post só para ele - e Wilmar Silva é curador da Terças Poéticas, no Palácio das Artes. 
Também fui convidada a participar do programa da Débora Rajão, Revista da Tarde, onde falei sobre o Instante Estante. Na entrevista também presente o poeta americano Todd Irwin, lançando seu livro Canções Urbanas Vitais.









III - Você pode acompanhar as "Intervenções Urbanas Instante Estante" no youtube. Nas intervenções, os transeuntes se deparam com uma estante no meio da rua. Há uma placa incentivando a levar os livros para casa, um por pessoa, gratuitamente, e avisando que aquele INSTANTE está sendo filmado. 
Assista comigo todas as reações que uma estante de livros, assim colocada, é capaz de desencadear...





5/28/2013

Poesia brasileira traduzida por Leo Lobos

Quatro poetas brasileiros apresentados e traduzidos por Leo Lobos: Claudio Willer, Tanussi Cardoso, Herbert Emanuel e Sandra Santos

sandra santos blog

A diversidade de linguagens - longe de ser um castigo, como supõe o mito de Babel - se faz presente para que passemos com êxito pelo "teste do estrangeiro". A teoria e a prática se desafiam e se complementam, tal que a reflexão sobre a tradução seja inseparável da experiência de traduzir. Esta seleção de poesia brasileira contemporânea se apresenta como possibilidade de descobrimento, de encontro e reencontro com o Brasil de nossos dias. Tentei buscar sentido por sentido e não letra por letra; ou seja, significação ao ser pronunciado em castelhano, um som português. Estes poetas, Claudio Willer, Tanussi Cardoso, Herbert Emanuel e Sandra Santos, nos mostram parte deste imenso mar orgânico e vivo da escrita brasileira.Compartilho mundos e imaginários, reais e virtuais, dos quais eles também se nutrem. Sim, eles ouvem música erudita, mas também Rap e Rock and roll. Gostam de cinema, sem deixar de navegar na internet e de explorar meios como blog ou twitter, ampliando suas redes de comunicação virtual com outros poetas. Criam revistas de papel e eletrônicas, se aventuram no campo da videoarte. Enfim, são autores atualizados que insistem em viver seu tempo, com direito a explorar todas as possibilidades oferecidas pela tecnologia, verbal e não-verbal, para a criação em nossa época.  Navegantes que costumamos frequentar o Brasil, nos descobrimos surpreendidos e maravilhados ante o tamanho do domínio ativo  do idioma do Brasil. Significação e som, pois,  se em algo diferem as línguas é no recorte fonético que fazem dos sons pronunciados pelo ser humano. O desejo de compreender o diferente e a necessidade de aproximar-se da alteridade sem anulá-la. Compreender é traduzir. Tentar entender o estrangeiro. A poesia desses autores é arte. E é esta visão que deve perdurar.  A proveitosa sensação de estar frente a uma legítima expressão de vida e de linguagem. Isso que antigamente se chamava poesia.

Claudio Willer


ANOTACIONES PARA UN APOCALIPSIS

(Publicado en Anotações para um Apocalipse - Anotaciones para un apocalipsis, 1964)

I
La Fiera volverá, con su rostro de trenzas de plata, desnuda sobre el mundo. La Fiera volverá, metálica en la convulsión de las tempestades, musgosa como la noche de los jarrones de sangre, fría como el pánico de las arenas menstruadas y la ceguera fija contra un reloj antiguo. Un sueño asírio, es nuestra dimensión. Un cráneo amargo, velando con la inconstancia del sarcasmo en medio de emboscadas de insectos, un cráneo azul y surcado, a la ventana en los momentos de espera, un cráneo negro y fijo, separado de las manos que lo amparan por tubos y esfumando los bronquios de la memoria - así se solidificaran las vertiginosas jugadas sobre el barro divino. El incesto es una tempestad de lunas gelatinosas y la más bella aspiración de los miembros disociados. En cada órbita una avalancha de campanas fértiles y de arcángeles terrestres por la sombra. El incesto es el sueño de una matriz convulsiva y la más profunda ansia de las cigarras. Vulvas de cemento armado y urnas ensangrentadas, vaginas impasibles contra un cielo de veludo, guardianes de océanos imposibles. Millones de láminas sirven de puente para los deseos obscuros - la más afilada traba a nuestra Verdad.

I
A Fera voltará com seu rosto de tranças de prata, nua sobre o mundo. A Fera voltará, metálica na convulsão das tempestades, musgosa como a noite dos vasos sanguíneos, fria como o pânico das areias menstruadas e a cegueira fixa contra um relógio antigo. Um sonho assírio, eis nossa dimensão. Um crânio amargo, velejando com a inconstância do sarcasmo em meio a emboscadas de insetos, um crânio azul e sulcado, à janela nos momentos de espera, um crânio negro e fixo, separado das mãos que o amparam por tubos e esmagando os brônquios da memória – assim se solidificarão as vertigens jogadas sobre a lama divina. O incesto é uma tempestade de luas gelatinosas e a mais bela aspiração dos membros dissociados. Em cada órbita uma avalanche de sinos férteis e de arcanjos terrificados pela sombra. O incesto é o sonho de uma matriz convulsiva e o mais profundo anseio das cigarras. Vaginas de cimento armado e urnas sangrentas, impassíveis contra um céu de veludo, guardiãs de oceanos impossíveis. Milhões de lâminas servem de ponte para os desejos obscuros – a mais afilada trará a nossa Verdade. 


Tanussi Cardoso


DEL APRENDIZAJE DEL AIRE

Imaginemos el aire suelto en la atmósfera
el aire inexistente a la luz de los ojos
imaginemos el aire sin sentirlo
sin el sofocante olor de las abejas
el aire sin cortes sin fronteras
el aire sin el cielo
el aire del olvido
imaginémoslo fotografiado
fantasma sin textura
moldura inerte
cuadro de sugestiones y apariencias
imaginemos el aire
paisaje blanco sin el poema
vacuo impregnado de Dios
el aire que sólo los ciegos ven
el aire el silencio de Bach

Imaginemos el amor
así

DO APRENDIZADO DO AR

imaginemos o ar solto na atmosfera 
o ar inexistente à luz dos olhos 
imaginemos o ar sem senti-lo 
sem o sufocante cheiro de abelhas e zinabre 
o ar sem cortes e fronteiras 
o ar sem o céu 
o ar de esquecimentos 
imaginemos fotografá-lo 
fantasma sem textura 
moldura inerte 
quadro de sugestões e aparências  
imaginemos o ar 
paisagem branca sem o poema 
vácuo impregnado de Deus 
o ar que só os cegos vêem 
o ar silêncio de Bach 

imaginemos o amor 
assim como o ar



Herbert Emanuel


RES

(Fragmento)

Lo real

con sus dos mil círculos
concéntricos
sus formas de agua
su gula de caos
desde la nada
lo real
corre(en)ti
es tu líquida morada

Lo real

con su aire espeso
sus sobras (pliegues) del cuerpo
lo incestuoso
lo injertado
a tiros de quema-ropa
lo real te provoca 
te enfurece 

Lo real

con su insecto de luz
se abre en piedra
con su faro nos conduce
con su furia nos enreda

Lo real - ¿crees? -

res
ist
e

  
RES

o real 
com seus dois mil círculos 
concéntricos 
suas formas de agua 
sua gula de caos 

desde o nada 
este real 
corre(em)ti 
 é tua líquida morada 

o real 
com seu ar espesso 
suas sobras (dobras) do corpo 
o incesto 
o enxerto 
com tiros à queima-roupa 
este real te provoca 
ferve teus nervos 

o real 
com seu inseto de luz 
abre-se em pedra 
com seu faro nos conduz 
com sua fúria nos enreda 

o real – crês? – 

res 
ist 
e



Sandra Santos



EL DISFRAZ

El disfraz testimonio
de hablas no grabadas
actas no leídas

el disfraz vistiendo
una percha que escondía
un clavo oxidado

el disfraz en luto una sentencia 

muda

lo general
poco a poco
olvidando todo

el disfraz y el agujero de la bala
en la solapa de la muerte


O Capote

o capote testemunhava 
falas não gravadas 
atas não lidas 

o capote vestia 
um cabide que escondia 
um prego enferrujado 

o capote em luto sentenciava 
mudo 

e o general 
pouco aos poucos 
esquecia tudo 

o capote e o furo da bala 
na lapela da morte

 
SOBRE O TRADUTOR

Leo Lobos (Santiago de Chile, 1966). Artista multifacetado. Poeta, ensaísta, tradutor e artista visual. Laureado UNESCO-Aschberg de Literatura 2002. Realiza uma residência criativa em CAMAC, Centre d´Art Marnay Art Center en Marnay-sur-Seine, Francia, nos anos de 2002-2003, com apoio do Fundo Internacional para a Cultura e a Fundacão francesa Frank Ténot. Realizou exposições de seus desenhos, pinturas e uma residência criativa, nos anos de 2003 até começo de 2006, no centro de cultura Jardim das Artes, em Cerquilho, SP, Brasil. Publicou, entre outros: Cartas de más abajo (1992), +Poesía (1995), Perdidos en La Habana y otros poemas(1996), Ángeles eléctricos (1997), Camino a Copa de Oro (1998), Turbosílabas. Poesía Reunida 1986-2003 (2003), Un sin nombre (2005), Nieve (2006), Vía Regia (2007), No permitas que el paisaje este triste (2007). Sua obra foi sido traduzida parcialmente ao português, inglês, italiano, árabe, francês e holandês. Suas fotografías, ensaios, desenhos e poemas foram publicados em revistas e antologias no Chile, Argentina, Peru, Brasil, Cuba, Estados Unidos, México, Tunísia, Espanha, Portugal, França, Itália e Alemanha. Como tradutor em língua portuguesa, realizou versões em castelhano de autores como Roberto Piva, Hilda Hilst, Claudio Willer, Tanussi Cardoso, Helena Ortiz, José Castelo entre otros. Seus desenhos, poemas visuais e pinturas fazem parte de coleções, particulares e públicas, no Chile, México, Estados Unidos, Brasil, Espanha e França. Em 2003 recebeu bolsa artística do Fundo Nacional da Cultura e  das Artes do Ministerio de Educação do Chile e, em 2008,  bolsa de criação para escritores profissionais do Conselho Nacional da Cultura e das Artes do Chile. Fez parte da equipe de  produção do V Encontro Internacional de poetas CHILEPOESIA, em 2008 e 2009, um dos  principais festivais de poesía da América hispânica. Gestor de projetos na Corporación Cultural e Centro Cultural Chimkowe de Peñalolén, nos anos de 2009-2012. Co-editor da coleção de poesía INSTANTE ESTANTE, projeto com curadoria de Sandra Santos, que lançou 17 títulos de poesia na Feira Internacional do Livro de Porto Alegre, Brasil, em 2012.. Participou do V Festival Quebramar de Artes Integradas em Macapá, Brasil, em 2012. Atualmente, é gerente de gestão cultural da Fundação Hoppmann-Hurtado e do Espaço Cultural Taller Siglo XX - Yolanda Hurtado, em Santiago do Chile, cidade onde reside.

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