5/28/2013

Poesia brasileira traduzida por Leo Lobos

Quatro poetas brasileiros apresentados e traduzidos por Leo Lobos: Claudio Willer, Tanussi Cardoso, Herbert Emanuel e Sandra Santos

sandra santos blog

A diversidade de linguagens - longe de ser um castigo, como supõe o mito de Babel - se faz presente para que passemos com êxito pelo "teste do estrangeiro". A teoria e a prática se desafiam e se complementam, tal que a reflexão sobre a tradução seja inseparável da experiência de traduzir. Esta seleção de poesia brasileira contemporânea se apresenta como possibilidade de descobrimento, de encontro e reencontro com o Brasil de nossos dias. Tentei buscar sentido por sentido e não letra por letra; ou seja, significação ao ser pronunciado em castelhano, um som português. Estes poetas, Claudio Willer, Tanussi Cardoso, Herbert Emanuel e Sandra Santos, nos mostram parte deste imenso mar orgânico e vivo da escrita brasileira.Compartilho mundos e imaginários, reais e virtuais, dos quais eles também se nutrem. Sim, eles ouvem música erudita, mas também Rap e Rock and roll. Gostam de cinema, sem deixar de navegar na internet e de explorar meios como blog ou twitter, ampliando suas redes de comunicação virtual com outros poetas. Criam revistas de papel e eletrônicas, se aventuram no campo da videoarte. Enfim, são autores atualizados que insistem em viver seu tempo, com direito a explorar todas as possibilidades oferecidas pela tecnologia, verbal e não-verbal, para a criação em nossa época.  Navegantes que costumamos frequentar o Brasil, nos descobrimos surpreendidos e maravilhados ante o tamanho do domínio ativo  do idioma do Brasil. Significação e som, pois,  se em algo diferem as línguas é no recorte fonético que fazem dos sons pronunciados pelo ser humano. O desejo de compreender o diferente e a necessidade de aproximar-se da alteridade sem anulá-la. Compreender é traduzir. Tentar entender o estrangeiro. A poesia desses autores é arte. E é esta visão que deve perdurar.  A proveitosa sensação de estar frente a uma legítima expressão de vida e de linguagem. Isso que antigamente se chamava poesia.

Claudio Willer


ANOTACIONES PARA UN APOCALIPSIS

(Publicado en Anotações para um Apocalipse - Anotaciones para un apocalipsis, 1964)

I
La Fiera volverá, con su rostro de trenzas de plata, desnuda sobre el mundo. La Fiera volverá, metálica en la convulsión de las tempestades, musgosa como la noche de los jarrones de sangre, fría como el pánico de las arenas menstruadas y la ceguera fija contra un reloj antiguo. Un sueño asírio, es nuestra dimensión. Un cráneo amargo, velando con la inconstancia del sarcasmo en medio de emboscadas de insectos, un cráneo azul y surcado, a la ventana en los momentos de espera, un cráneo negro y fijo, separado de las manos que lo amparan por tubos y esfumando los bronquios de la memoria - así se solidificaran las vertiginosas jugadas sobre el barro divino. El incesto es una tempestad de lunas gelatinosas y la más bella aspiración de los miembros disociados. En cada órbita una avalancha de campanas fértiles y de arcángeles terrestres por la sombra. El incesto es el sueño de una matriz convulsiva y la más profunda ansia de las cigarras. Vulvas de cemento armado y urnas ensangrentadas, vaginas impasibles contra un cielo de veludo, guardianes de océanos imposibles. Millones de láminas sirven de puente para los deseos obscuros - la más afilada traba a nuestra Verdad.

I
A Fera voltará com seu rosto de tranças de prata, nua sobre o mundo. A Fera voltará, metálica na convulsão das tempestades, musgosa como a noite dos vasos sanguíneos, fria como o pânico das areias menstruadas e a cegueira fixa contra um relógio antigo. Um sonho assírio, eis nossa dimensão. Um crânio amargo, velejando com a inconstância do sarcasmo em meio a emboscadas de insetos, um crânio azul e sulcado, à janela nos momentos de espera, um crânio negro e fixo, separado das mãos que o amparam por tubos e esmagando os brônquios da memória – assim se solidificarão as vertigens jogadas sobre a lama divina. O incesto é uma tempestade de luas gelatinosas e a mais bela aspiração dos membros dissociados. Em cada órbita uma avalanche de sinos férteis e de arcanjos terrificados pela sombra. O incesto é o sonho de uma matriz convulsiva e o mais profundo anseio das cigarras. Vaginas de cimento armado e urnas sangrentas, impassíveis contra um céu de veludo, guardiãs de oceanos impossíveis. Milhões de lâminas servem de ponte para os desejos obscuros – a mais afilada trará a nossa Verdade. 


Tanussi Cardoso


DEL APRENDIZAJE DEL AIRE

Imaginemos el aire suelto en la atmósfera
el aire inexistente a la luz de los ojos
imaginemos el aire sin sentirlo
sin el sofocante olor de las abejas
el aire sin cortes sin fronteras
el aire sin el cielo
el aire del olvido
imaginémoslo fotografiado
fantasma sin textura
moldura inerte
cuadro de sugestiones y apariencias
imaginemos el aire
paisaje blanco sin el poema
vacuo impregnado de Dios
el aire que sólo los ciegos ven
el aire el silencio de Bach

Imaginemos el amor
así

DO APRENDIZADO DO AR

imaginemos o ar solto na atmosfera 
o ar inexistente à luz dos olhos 
imaginemos o ar sem senti-lo 
sem o sufocante cheiro de abelhas e zinabre 
o ar sem cortes e fronteiras 
o ar sem o céu 
o ar de esquecimentos 
imaginemos fotografá-lo 
fantasma sem textura 
moldura inerte 
quadro de sugestões e aparências  
imaginemos o ar 
paisagem branca sem o poema 
vácuo impregnado de Deus 
o ar que só os cegos vêem 
o ar silêncio de Bach 

imaginemos o amor 
assim como o ar



Herbert Emanuel


RES

(Fragmento)

Lo real

con sus dos mil círculos
concéntricos
sus formas de agua
su gula de caos
desde la nada
lo real
corre(en)ti
es tu líquida morada

Lo real

con su aire espeso
sus sobras (pliegues) del cuerpo
lo incestuoso
lo injertado
a tiros de quema-ropa
lo real te provoca 
te enfurece 

Lo real

con su insecto de luz
se abre en piedra
con su faro nos conduce
con su furia nos enreda

Lo real - ¿crees? -

res
ist
e

  
RES

o real 
com seus dois mil círculos 
concéntricos 
suas formas de agua 
sua gula de caos 

desde o nada 
este real 
corre(em)ti 
 é tua líquida morada 

o real 
com seu ar espesso 
suas sobras (dobras) do corpo 
o incesto 
o enxerto 
com tiros à queima-roupa 
este real te provoca 
ferve teus nervos 

o real 
com seu inseto de luz 
abre-se em pedra 
com seu faro nos conduz 
com sua fúria nos enreda 

o real – crês? – 

res 
ist 
e



Sandra Santos



EL DISFRAZ

El disfraz testimonio
de hablas no grabadas
actas no leídas

el disfraz vistiendo
una percha que escondía
un clavo oxidado

el disfraz en luto una sentencia 

muda

lo general
poco a poco
olvidando todo

el disfraz y el agujero de la bala
en la solapa de la muerte


O Capote

o capote testemunhava 
falas não gravadas 
atas não lidas 

o capote vestia 
um cabide que escondia 
um prego enferrujado 

o capote em luto sentenciava 
mudo 

e o general 
pouco aos poucos 
esquecia tudo 

o capote e o furo da bala 
na lapela da morte

 
SOBRE O TRADUTOR

Leo Lobos (Santiago de Chile, 1966). Artista multifacetado. Poeta, ensaísta, tradutor e artista visual. Laureado UNESCO-Aschberg de Literatura 2002. Realiza uma residência criativa em CAMAC, Centre d´Art Marnay Art Center en Marnay-sur-Seine, Francia, nos anos de 2002-2003, com apoio do Fundo Internacional para a Cultura e a Fundacão francesa Frank Ténot. Realizou exposições de seus desenhos, pinturas e uma residência criativa, nos anos de 2003 até começo de 2006, no centro de cultura Jardim das Artes, em Cerquilho, SP, Brasil. Publicou, entre outros: Cartas de más abajo (1992), +Poesía (1995), Perdidos en La Habana y otros poemas(1996), Ángeles eléctricos (1997), Camino a Copa de Oro (1998), Turbosílabas. Poesía Reunida 1986-2003 (2003), Un sin nombre (2005), Nieve (2006), Vía Regia (2007), No permitas que el paisaje este triste (2007). Sua obra foi sido traduzida parcialmente ao português, inglês, italiano, árabe, francês e holandês. Suas fotografías, ensaios, desenhos e poemas foram publicados em revistas e antologias no Chile, Argentina, Peru, Brasil, Cuba, Estados Unidos, México, Tunísia, Espanha, Portugal, França, Itália e Alemanha. Como tradutor em língua portuguesa, realizou versões em castelhano de autores como Roberto Piva, Hilda Hilst, Claudio Willer, Tanussi Cardoso, Helena Ortiz, José Castelo entre otros. Seus desenhos, poemas visuais e pinturas fazem parte de coleções, particulares e públicas, no Chile, México, Estados Unidos, Brasil, Espanha e França. Em 2003 recebeu bolsa artística do Fundo Nacional da Cultura e  das Artes do Ministerio de Educação do Chile e, em 2008,  bolsa de criação para escritores profissionais do Conselho Nacional da Cultura e das Artes do Chile. Fez parte da equipe de  produção do V Encontro Internacional de poetas CHILEPOESIA, em 2008 e 2009, um dos  principais festivais de poesía da América hispânica. Gestor de projetos na Corporación Cultural e Centro Cultural Chimkowe de Peñalolén, nos anos de 2009-2012. Co-editor da coleção de poesía INSTANTE ESTANTE, projeto com curadoria de Sandra Santos, que lançou 17 títulos de poesia na Feira Internacional do Livro de Porto Alegre, Brasil, em 2012.. Participou do V Festival Quebramar de Artes Integradas em Macapá, Brasil, em 2012. Atualmente, é gerente de gestão cultural da Fundação Hoppmann-Hurtado e do Espaço Cultural Taller Siglo XX - Yolanda Hurtado, em Santiago do Chile, cidade onde reside.

5/27/2013

Museus

Vamos conhecer os museus mais famosos do mundo, e as mais raras obras de arte, bem de pertinho...


É o Google Art Project: o site é mantido pelo Gogle em colaboração com os museus. É possvel "passear" pelas dependências das galerias dos museus ou olhar mais nitidamente seus acervos, dando zoom nos detalhes das pinturas...
Selecionei alguns dos museus mais interessantes para nossa viagem. Para acessar, clic nas imagens!


MOMA, The Museum of Modern Art - 108 Artworks by 55 Artists

The collection include over 150,000 paintings, sculptures, drawings, prints, photographs, architectural models and drawings, and design objects. Collection highlights include Claude Monet’s Water Lilies, Vincent van Gogh’s The Starry Night, and Pablo Picasso’s Les Demoiselles d'Avignon, along with more recent works by Andy Warhol, Elizabeth Murray, Cindy Sherman, and many others.

A coleção inclui mais de 150 mil pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, fotografias, maquetes e objetos de design. Destacam-se as Ninféias de Claude Monet,  Noite Estrelada de Vincent van Gogh, Les Demoiselles d'Avignon de Pablo Picasso e as obras mais recentes de Andy Warhol, Elizabeth Murray, Cindy Sherman e muitos outros.






Musei Capitolin - 152 Artworks by 80 Artists

The Museums' collections are displayed in the two of the three buildings that together enclose the Piazza del Campidoglio: Palazzo dei Conservatori and Palazzo Nuovo, the third being the Palazzo Senatorio. The collection includes paintings by Caravaggio (Good Luck and St. John the Baptist).

O Museu Capitolino é um conjunto arquitetônico formado pelos Palácios dos Conservadores,  Palácio Novo e o Palácio dos Senadores. A coleção inclui pinturas de Caravaggio (Boa Sorte e São João Batista)





Museo Dolores Olmedo - 37 Artworks by 3 Artists

Located in Xochimilco, at Mexico City's southern extreme, the Dolores Olmedo Museum is housed in a rambling stone structure, originally dating from the Sixteenth Century, formerly known as the Hacienda La Noria.

Localizada em Xochimilco, no extremo sul da Cidade do México, o Museu Dolores Olmedo está alojado em uma fazenda do século XVI, anteriormente conhecida como La Hacienda Noria, e abriga as principais obras de Frida Kahlo e Diego Rivera.



5/26/2013

Conto de Clarice Lispector - Felicidade Clandestina

Matando baratas com Clarice - histórias de Felicidade Clandestina 

Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou: "É finita la guerra!" 
(Clarisse Lispector, Roma 1945)

Clarice Lispector - óleo de Giorgio de Chirico


A QUINTA HISTÓRIA

Esta história poderia chamar-se "As Estátuas". Outro nome possível é "O Assassinato". E também "Como Matar Baratas". Farei então pelo menos três histórias, verdadeiras, porque nenhuma delas mente a outra. Embora uma única, seriam mil e uma, se mil e uma noites me dessem. 
A primeira, "Como Matar Baratas", começa assim: queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a receita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria o de-dentro delas. Assim fiz. Morreram.
A outra história é a primeira mesmo e chama-se "O Assassinato". Começa assim: queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me. Segue-se a receita. E então entra o assassinato. A verdade é que só em abstrato me havia queixado de baratas, que nem minhas eram: pertenciam ao andar térreo e escalavam os canos do edifício até o nosso lar. Só na hora de preparar a mistura é que elas se tornaram minhas também. Em nosso nome, então, comecei a medir e pesar ingredientes numa concentração um pouco mais intensa. Um vago rancor me tomara, um senso de ultraje. De dia as baratas eram invisíveis e ninguém acreditaria no mal secreto que roía casa tão tranqüila. Mas se elas, como os males secretos, dormiam de dia, ali estava eu a preparar-lhes o veneno da noite. Meticulosa, ardente, eu aviava o elixir da longa morte. Um medo excitado e meu próprio mal secreto me guiavam. Agora eu só queria gelidamente uma coisa: matar cada barata que existe. Baratas sobem pelos canos enquanto a gente, cansada, sonha. E eis que a receita estava pronta, tão branca. Como para baratas espertas como eu, espalhei habilmente o pó até que este mais parecia fazer parte da natureza. De minha cama, no silêncio do apartamento, eu as imaginava subindo uma a uma até a área de serviço onde o escuro dormia, só uma toalha alerta no varal. Acordei horas depois em sobressalto de atraso. Já era de madrugada. Atravessei a cozinha. No chão da área lá estavam elas, duras, grandes. Durante a noite eu matara. Em nosso nome, amanhecia. No morro um galo cantou. 
A terceira história que ora se inicia é a das "Estátuas". Começa dizendo que eu me queixara de baratas. Depois vem a mesma senhora. Vai indo até o ponto em que, de madrugada, acordo e ainda sonolenta atravesso a cozinha. Mais sonolenta que eu está a área na sua perspectiva de ladrilhos. E na escuridão da aurora, um arroxeado que distancia tudo, distingo a meus pés sombras e brancuras: dezenas de estátuas se espalham rígidas. As baratas que haviam endurecido de dentro para fora. Algumas de barriga para cima. Outras no meio de um gesto que não se completaria jamais. Na boca de umas um pouco da comida branca. Sou a primeira testemunha do alvorecer em Pompéia. Sei como foi esta última noite, sei da orgia no escuro. Em algumas o gesso terá endurecido tão lentamente como num processo vital, e elas, com movimentos cada vez mais penosos, terão sofregamente intensificado as alegrias da noite, tentando fugir de dentro de si mesmas. Até que de pedra se tornam, em espanto de inocência, e com tal, tal olhar de censura magoada. Outras - subitamente assaltadas pelo próprio âmago, sem nem sequer ter tido a intuição de um molde interno que se petrificava! - essas de súbito se cristalizam, assim como a palavra é cortada da boca: eu te... Elas que, usando o nome de amor em vão, na noite de verão cantavam. Enquanto aquela ali, a de antena marrom suja de branco, terá adivinhado tarde demais que se mumificara exatamente por não ter sabido usar as coisas com a graça gratuita do em vão: "é que olhei demais para dentro de mim! é que olhei demais para dentro de..." - de minha fria altura de gente olho a derrocada de um mundo. Amanhece. Uma ou outra antena de barata morta freme seca à brisa. Da história anterior canta o galo.
A quarta narrativa inaugura nova era no lar. Começa como se sabe: queixei-me de baratas. Vai até o momento em que vejo os monumentos de gesso. Mortas, sim. Mas olho para os canos, por onde esta mesma noite renovar-se-á uma população lenta e viva em fila-indiana. Eu iria então renovar todas as noites o açúcar letal? como quem já não dorme sem a avidez de um rito. E todas as madrugadas me conduziria sonâmbula até o pavilhão? no vício de ir ao encontro das estátuas que minha noite suada erguia. Estremeci de mau prazer à visão daquela vida dupla de feiticeira. E estremeci também ao aviso do gesso que seca: o vício de viver que rebentaria meu molde interno. Áspero instante de escolha entre dois caminhos que, pensava eu, se dizem adeus, e certa de que qualquer escolha  seria a do sacrifício: eu ou minha alma. Escolhi. E hoje ostento secretamente no coração uma placa de virtude: "Esta casa foi dedetizada".
A quinta história chama-se "Leibnitz e a Transcendência do Amor na Polinésia". Começa assim: queixei-me de baratas.

5/25/2013

Entrevista

Jornal Alto Madeira entrevista Sandra Santos para a Página Lítero Cultural


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Compartilho entrevista dada ao poeta Selmo Vasconcellos, para a página semanal LÍTERO CULTURAL  jornal Alto Madeira de Porto Velho, RO:
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesias ?
SANDRA SANTOS - Minha poesia não necessita atmosfera. Trovoadas e relâmpagos produzem textos para a lixeira, não para as gavetas. Se estou numa atmosfera "eufórica" ou de "fossa", produzo muito, mas jogo tudo no lixo. São textos de desabafo. A poesia que guardo é a mais elaborada, que pode vir de uma notícia de jornal ou de um exercício de flauta.
leia, na íntegra, e aproveite para explorar as ótimas entrevistas com  Mano Melo, Tavinho Paes, Antonio Cicero, Anselmo Vasconcellos... vai lá!


foto: Leonardo Brasiliense


5/24/2013

Sandra Santos por Marcelo Moraes Caetano - Leitura Crítica

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Aikai: Sandra Santos e a aventura sem razão - Marcelo Moraes Caetano

 akai significa vermelho. há uma lenda japonesa sobre um fio vermelho que une as pessoas para sempre "akai ito". alguns de meus aikais ligam-se a haicais de poetas que admiro, mas escrevo aikais livres, sem a preocupação com a forma tradicional (ainda que ela aconteça às vezes ). me permito brincar com versos curtos, criando quebra-cabeças, dominós, rumo ao infinito da experimentação coletiva. me permito fazer o verso pular fora do papel e virar peixe, para uma contemplação única do movimento.
"Parece-nos, desde a tenra infância do mundo como vontade e representação, que imitar – e superar – a beleza é o inevitável trocadilho de um atavio atávico à humanidade. A força da grana que constrói e destrói, que destrói e constrói coisas belas, o money que, afinal, makes the world go around – desde o ouro africano, a financiar a Renascença – tem sido o motor cuja sombra (sim, porque o ser humano ama o paradoxo, embora não o saiba) é a arte e o belo.Platão via o homem como sonho? Sonho, talvez; ideia, decerto. Aristóteles, seu aluno, o via como razão, como lógica, ética, política: animal da cidade. Descartes e Kant elevaram esse império da empiria à duodécima potência, num delírio que nem a própria Urânia quereria, quiçá, suster. Houve um sonhador-mor, em quem o prógono humano deveria ser a união vitruviana do homem platônico-aristotélico: nosso Da Vinci. Houve o seu antípoda, para o qual as perspectivas imanentistas e transcendentalistas do Renascimento-Escolástico de Da Vinci eram bazófia: Pablo Picasso e sua quebradeira (quase) desregrada.
Mas, no fundo, no fundo e bem dentro, somos Românticos. Românticos de raiz, de natureza viva, Românticos com “R” maiúsculo, como Goethe, como os Samurais, como Xogun. Como Guimarães Rosa, que alardeou à brasileira: o que importa ao homem é o grande sertão. A Natureza. As cidades são refúgios de poder, de artifício, de arte. A natureza não precisa de arte. Precisamos nós de arte porque, de mil formas, precisamos nos religar à Natureza.
A arte é artifício. Etimologia do orgulho grego, “Aretê”, do ar latim, “Ars”, da “Techné” – ofício, tecnologia, fazer, saber fazer.
A Arte é irmã gêmea da Ciência: ambas são manifestações humanas, apelam à estética (salve Alexandre Baumgartem!), necessitam ser controladas em experimentos que possam, de alguma forma, ser reproduzidos. Castor e Pólux constituem Arte e Ciência. Ogun e Elegbara, se quisermos recorrer à Teologia Yorubá.
Pois é neste centro sertanejo, interiorano, provinciano, puro, orgulhoso (com o orgulho santo greco-nipônico), belo, belo, laudatório do que é belo, que nasce e pousa e se pereniza cada aikai de Sandra Santos: borbo-letra.
Tem-se dito com razão que guerras, moeda e livros criaram o contorno da humanidade. De mirabilibus Mundi. Há pouco publiquei na revista Metáfora (Editora Segmento, São Paulo, edição de aniversário, outubro de 2012) ensaio breve sobre a peremptoriedade do conflito para a existência da arte. E – obviamente – da ciência.
Pois aqui, após ler o pujante e delicado livro de seda e aço que Sandra costura com linha de bambu, quis eu deitar loas à ontogênese da Teologia e da Teoria, o “Teo”, “Deus” platônico (e minúsculo, porquanto muito humano, em um missal aikai do livro ora degustado), quis eu, enfim, louvar nosso bom Sócrates, sabendo que nada sabe, e que, por isso, tudo e todo (o) saber lhe (nos) é possível.
Não saber nada é libertador como um aikai de Sandra. Saber que se sabe, nessa arqueologia do saber, nessa microfísica do poder foucaultiana, é uma prisão intrínseca a cada um de nós, gaiolinha de varetas titânicas de que, sem que muitos de nós saibamos, estamos semilibertos, libertinos, pois.
Ora, pois, se a guerra é inevitável à consecução do progresso do saber, viva eternamente a beleza inexplicável do sertão que jamais nos abandonou. Astreia foi-se, mas o sertão nunca se foi de nossa Gaia, Aiê.
Está cá, está aí. Está. Intransitivamente a Santíssima Trindade humana persistirá in seculum seculorum: a beleza, a natureza, e a ingenuidade. Tudo o que é belo, tudo o que é sertão e, sobretudo, tudo o que não se sabe (ou que, melhor, nem se sabe que não se sabe) é que subjaz à Arte e à Ciência, cordões umbilicais amamentando o mundo inteiro.
Cada aikai de Sandra é um spiritus que alça voo ao cerúleo céu das explicações, onde se perde, e nos enche de Graça, por não ter razão nenhuma; como a beleza e toda solidez que, na estrutura da bolha de sabão, se dissolve no ar.
Ars. Arte." ( palavras do professor e crítico literário Marcelo Moraes Caetano )


a borboleta
espetada na letra
é purpureta
   para Alexandre Brito

treme um haicai
na ponta da espada
de um samurai
     para Fred Maia

no chão voando
lá vai o leitor tão só
Leminskiando
     para Leminski

bocal de poço
rendado de avencas
cortinas da rã
     para Bashô

saber é só
sopro de Calíope
menino sabre
    para Marcelo Moraes Caetano

céu cerúleo
solo de sambaquis
vestígio azul
                   ao leitor


Marcelo Moraes Caetano:  Professor, pesquisador, crítico literário e pianista. Mestre em Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, pesquisador com dedicação exclusiva pelo CNPq, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra e pela Federação dos Acadêmicos em Ciências, Letras e Artes e Doutor em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É membro titular da União Brasileira de Escritores, do PEN Clube do Brasil, da Académie des Arts, Sciences et Lettres de Paris (recebeu a Comenda e a Médaille de Vermeil da Instituição em 2011), da Academía de Letras y Artes de Chile e membro fundador da Federação Brasileira dos Acadêmicos de Ciências, Letras e Artes.


5/23/2013

Galeria

Que tal sentar, literalmente, numa obra de arte de Marc Chagall ou Gustav Klimt...

A história do Design é inconcebível sem a presença da cadeira. A cadeira chegou no Brasil nos meados do século XVI para "desbancar" a rede. E os múltiplos fios das criações contemporâneas dos irmãos Campana já projetam o Brasil para o mundo. Das cadeiras de Le Corbusier às cadeiras Myto,  de Konstantin, há muito o que falar. Hoje, falemos de Mary Shaffer, artista americana famosa no mundo do Design por ter desenvolver uma nova técnica de pintura, a "mid-air slumping",  adaptada da indústria automobilística. As cadeiras ou poltronas de Mary Shaffer  nos levam a viajar pelas obras dos grandes pintores da história da arte, como Chagall, Gauguin, Klimt, Matisse, Modigliani, Picasso. Vamos sentar?



"La Mariee" de Marc Chagall por Mary Shaffer



"O Beijo", de Gustav Klimt por Mary Shaffer





"Jacques Lipchitz e sua esposa" de Amadeo Modigliani por Mary Shaffer




"Visão Após o Sermão" de Paul Gauguin por Mary Shaffer





"Linha Verde" de Henri Matisse por Mary Shaffer




"Menina no Espelho" de Pablo Picasso por Mary Shaffer

5/20/2013

Galeria

O artista naïf brasileiro Eloir Amaro Jr e suas incríveis babuszkas em homenagem às estrelas de Hollywood


Babuszka em homenagem à AUDREY HEPBURN no filme Bonequinha de Luxo



Babuszka em homenagem à JULIE ANDREWS no filme  Mary Poppins



Babuszka em homenagem à VIVIAN LEIGH no filme  E o Vento Levou



Babuszka em homenagem à AMY WINEHOUSE 



Babuszka em homenagem à EDITH PIAF



Babuszka em homenagem à CARMEM MIRANDA






visite o blog do artista Eloir Jr

5/12/2013

Livros

Uiara, uma lenda da Amazônia, na coleção Poemitos, meu primeiro livro infantil



UIARA, minha estreia na literatura infantil!

A Editora Casa Verde traz para o mundo dos livros a Coleção POEMITOS. UIARA é uma lenda da Amazônia, meu primeiro livro para crianças. Os outros mitos são UAKTI de Alexandre Brito, MEDUSA de Laís Chaffe, PERSEU de Ana Mello, VENUS de Christina Dias e CUPIDO de Marô Barbiere. Como o nome propõe, são livros inspirados na mitologia.  

Vem de muito longe minha paixão pelo universo indígena e pelos mitos brasileiros. A convivência com os Guarani e Kaigangs deixou histórias dormitando no meu imaginário. O convite da Laís Chaffe para integrar a coleção Poemitos foi a chance de despertá-las.
UIARA e UAKTI não foram escolhidos ao acaso - n
um formato vira-vira, os dois mitos "conversam" entre si. Tanto eu quanto Alexandre Brito, autor de UAKTI, temos estreita relação com a música. Os dois títulos se unem para resgatar da cosmogonia indígena essas fantásticas lendas relacionadas ao canto e ao sopro. UAKTI fala de um índio com buracos no corpo, como uma flauta orgânica ao sabor do vento. UIARA, ou Iara, traz com ela todo o encanto da floresta Amazônica, do Peixe-boi e da Vitória Régia. UIARA pretende levar o leitor para um mundo de descobertas. E os pequenos exploradores sairão desse mato de mãos dadas, ansiosos por embarcar numa viagem de verdade, para ver in loco as estrepolias do sagui-leãozinho, as plantas carnívoras (de nome droseras) e, quem sabe, ouvir uma ária tão maravilhosa, que  só o canto da Iara!

"arapongas dão marteladas
tocam gongo na mata
sinfonia de matracas
vibrando ao som de uma ária
que vem do canto da Iara"
Sandra Santos

livro: UIARA
autor: Sandra Santos
ilustração: Alexandre Oliveira
editora: Casa Verde
ano: 2011

coleção Poemitos



5/05/2013

Codigo Coletivo - Sandra Santos

Exposição Codigo Coletivo - mais de 100 poetas contemporâneos


A exposição desde o Castelinho do Alto da Bronze até ganhar o mundo!

Uma experiência poética em QR CODE, tipo de matrix barcode, que reuniu mais de 100 poetas contemporâneos. Cada poema resultou num codigo de barra bidimensional para ser projetado em telões, capturado e lido via celular, pelos visitantes. Os códigos também foram transformados em adesivos e colados em algumas escolas  da cidade, assim como transformados em estampas de camisetas e canecas, sorteadas entre as escolas que participaram. O Codigo coletivo também foi apresentado na Sala Museu, do Centro Cultura CEEE Érico Veríssimo, dentro do Evento Literário Porto Poesia, a convite do amigo e escritor Celso Viola. Também ocupou duas salas do Memorial do Rio Grande do Sul, a convite da Feira do Livro de Porto Alegre. Recentemente, fez parte da programação da 6ª Primavera dos Museus, no Museu Nacional de Poesia de Belo Horizonte, a convite da amiga e poeta Regina Melo. A primeira exposição foi em 2011, no Castelinho,  e nesta tive a parceria do projeto Cidade Poema, da amiga e poeta Laís Chaffe, para levar os Codigos em forma de adesivos, para colar nos corredores das escolas de Porto Alegre. O Codigo Coletivo também foi apresentado no premiado Projeto Terças Poéticas, do amigo e poeta Wilmar Silva, em Belo Horizonte.


Os poetas participantes:


Ademir Antonio Bacca - Ademir Assunção - Ademir Demarchi - Alberto Al-Chaer -Alexandre Brito - Allan Vidigal - Alma Welt - Alvaro Posselt - Ana Melo - Andrea Del Fuego -Andreia Laimer - Antonio Carlos Secchin - Armindo Trevisan - Astier Basilio - Augusto Bier - Barbara Lia - Barreto Poeta - Carlos Seabra - Celso Santana - Claudio Daniel - Cristina Desouza - Cristina Macedo - Diego Grando - Diego Petrarca - Dilan Camargo - E. M. De Melo e Castro - Edson Cruz - Eduardo Tornaghi - Elson Fróes - Estrela Ruiz Leminski - Fabio Bruggmann - Fabio Godoh - Fabricio Carpinejar - Floriano Martins - Frank Jorge - Frederico Barbosa - Gilberto Wallace Battilana - Glauco Mattoso - Gustavo Dourado - Hugo Pontes - Igor Fagundes - Isabel Alamar - Jacqeline Aisenman - Jiddu Saldanha - José Aluisio Bahia - José Antônio Silva - José Inácio Vieira de Melo - José Geraldo Neres - Juliana Meira - Jurema Barreto de Sousa - Laís Chaffe - Lau Siqueira - Leo Lobos - Leonardo Brasiliense - Liana Timm - Lucia Santos - Luis Serguilha - Luis Turiba - Luiz de Miranda - Mano Melo - Marcelo Ariel - Marcelo Moraes Caetano - Marcelo Soriano - Marcelo Spalding - Marcílio Medeiros - Marco Celso Ruffel Viola - Mario Pirata - Marko Andrade - Muryel de Zoppa - Nei Duclós - Nicolas Behr - Nydia Bonetti -Orlando Bona Fº - Paco Cac - Paula Taitelbaum - Paulo de Toledo - Paulo Henrique Frias - Paulo Prates Jr - Pedro Stiehl - Regina Mello - Renato de Mattos Motta - Ricardo Mainieri - Ricardo Portugal - Ricardo Pozzo - Ricardo Silvestrin - Rodrigo Garcia Lopes - Rogerio Santos - Romério Rômulo -Ronaldo Werneck - Sandra Santos - Sidnei Schneider - Silas Correa Leite - Susanna Busatto - Talis Andrade - Tchello de Barros -Telma Scherer - Tulio Henrique Pereira -Valeria Tarelho - Wasil Sacharuk -Wender Montenegro - Wilmar Silva 
Pegue seu celular e participe dessa experiência:




Exposição da artista plástica Sandra Santos no Memorial do Rio Grande do Sul é uma realização da Feira do Livro de Porto Alegre, da Câmara Riograndense do Livro, do Memorial do Rio Grande do Sul, da Secretaria do Rio Grande do Sul e tem ainda o apoio do Projeto Cidade Poema.


Durante a exposição no Castelinho, várias escolas tiveram a oportunidade de visitar o Castelo, estudar os poetas participantes e concorrer aos brindes confeccionados especialmente para o evento: camisetas, canecas e adesivos com os poemas codificados para colar no próprio espaço escolar e reproduzir a experiência com seus celulares.



os alunos que visitaram a exposição CODIGO COLETIVO, se divertiram "capturando" 
mais de 100 poemas no celular e distribuindo por torpedo aos amigos



os poetas integrantes da exposição também estiveram no Castelinho do Alto da Bronze para conferir: 
na foto, Sidnei Schneider e Celso Santana



Ainda no Castelinho, os poetas José Antônio Silva e Alexandre Brito




No centro Cultural CEE Érico Veríssimo, o poeta Paco Cac




mais de cem poetas contemporâneos capturados no celular, através da tecnologia QR CODE




Sandra Santos preparou vários brindes para as escolas visitantes: 
camisetas, canecas e adesivos para levar e colar poesia por toda parte

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